sexta-feira, 30 de outubro de 2009

It won't be long

Final de ano é sempre na correria. E como se não bastasse tudo o que já vem na bagagem-problemas familia & escola, arrumei um pequeno incômodo metalizado ortodôntico justo nessa época. Sim, estou com sorriso metalico. E falando errado.
Só me resta aplicar o jogo do contente e pensar que tudo isso, um belo dia, irá passar. E nesse caso não me refiro somente ao aparelho, às provas, trabalhos, apresentação de ballet e os etcs da vida. Uma hora a gente colhe os frutos que plantou, e juro, eu tô tentando. Pelo menos (ainda) não tenho contas pra pagar, aplicando Pollyanna e minha mãe na coisa toda sobre frutos que precisam de muito carinho, esforço e paciência pra nascerem.

Não vai demorar...

sábado, 17 de outubro de 2009

Pra se ter alegria

Precisei de uma garganta inflamada, uma noite mal dormida e uma dose de chatisse & TPM pra concluir o óbvio: estou amando. Demorei pra escrever e pra me acostumar com a novidade, não pela incerteza, mas pela minha mania incontrolável de detestar parecer precipitada.

É ele. E só ele conseguiu me deixar a vontade desde o primeiro dia que nos vimos. Que me faz falar besteira, rir como uma hiena ou cantar músicas melosas à la Los Hermanos sem me derramar toda. Sem querer, me faz achar o toque de mensagem recebida do celular o mais maravilhoso do mundo, e a brincadeira pré adolescente hora-e-minuto-igual-tem-alguém-pensando-em-mim a mais divertida de todas. Ele é o culpado por tudo o que eu sinto desde então, e mesmo tão alegre e viva me faltam palavras pra descrever.
Me apareceu a frase: é preciso estar distraído para ser feliz. É mais ou menos isso aí mesmo. Nessas horas a gente pensa como acordar com sentimento de 'preciso-pedir-desculpas' e dizer 'obrigada-por-existir' se resumem no simples e clichê, porém sincero, eu-te-amo, N.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Para uma menina com uma flor

Uma rosa lilás. Não veio acompanhada de bilhete nem de um buquê, e no entanto foi a melhor entrega que alguem já pôde esperar.
Seu Jayr mandou escolher, e então plantaria uma rosa que seria só minha, e nasceria no jardim do quintal.
Vermelhas são comuns demais e rosas são sem graça, pensei. Escolhi lilás, mesmo sem saber se existia. Nenhum avô resiste à oportunidade de mimar a neta...
Culpa da genética ou não a semente foi encontrada e plantada no canteiro, modesta, entre outras roseiras e um pé de alecrim. No pequeno espaço de terra, toda uma técnica havia sido desenvolvida pela minha avó, de modo que as roseiras do meu avô não atrapalhariam o crescimento das ervas pros chás milagrosos que só ela sabe fazer. Só o meu avô sabia o tempo certo de podar e o desabrochar das flores, os ciclos e cada etapa de depois da germinação. O cuidado era diário, como escovar os dentes e tomar café da manhã todos os dias. Mas assim como todo final de ciclo, um dia meu avô também partiu.
Ele sempre me dizia como a natureza era perfeita, capaz de reparar qualquer imprevisto no caminho. Se uma queimada devasta toda a vegetação, ela é capaz de renascer com a mesma força, pois cinzas são ótimas fontes de nutriente. Tempestade, calor intenso, de uma forma ou de outra as coisas de ajeitam.
Foi assim que encarei sua partida, embora não sem saudade, sabendo que tudo que ele plantou nasceria - como a minha rosa.
O tempo passou e me esqueci do presente, da escolha da cor ou dos comentários diários de que a rosa não nascia. Em meados de setembro foi minha avó, que agora assumira a responsabilidade pelas roseiras também, que veio me avisar sobre seu crescimento. "Tomara que desabroche no dia 23 pra eu te dar de presente", dizia ela. E foi assim, uma mistura de saudade e alegria quando no meu aniversário de 16 a recebi das mãos de dona Ivone, única, lilás e cheirosa, repleta de carinho e história.
Me faz lembrar tudo isso a entrada de um novo setembro, uma nova primavera e um novo ciclo prestes a começar. Me dá ansiedade, dá saudade também... Engraçado como nada me tira da cabeça de que lá no céu, bem modestas, milhões de roseiras estão crescendo pra ver a primavera entrar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Se não for devagar, que ao menos seja eterno assim

E como diria o Chico: mas eis que chega a roda-viva e carrega a saudade pra lá. Depois de quase um mês e nenhum ar da graça em meu quérido blog, volta a vontade de escrever. E com ela o gostinho do novo, o medinho do que está por vir. E melhor, sem nenhuma vontade de relembrar histórias, nenhumazinha sequer. Eu sei que deixando subentendido não explico nada e nem quero. Que fique sem sentido assim.
Descobri que possuo "prolapso da válvula mitral" - que gonorantemente chamo de defeito no coração - e afeta entre 5 e 10% da população mundial. Ok, muita gente tem isso e não é grave, eu não devia me sentir especial. A questão é que agora não preciso mais me culpar por ficar ansiosa e palpitando com qualquer coisa, culpo a válvula! E os sintomas são típicos de pessoa apaixonada: coração acelerado, dor torácica e falta de ar... Que lindo, apaixonar e fazer prova de matemática tornaram-se pra mim a mesma coisa.
O bom ou ruim de tudo é saber que vou me sentir a mesma adolescente afobada com tudo pelo resto da eternidade, poetizando a coisa toda sobre válvulas cardíacas.

domingo, 2 de agosto de 2009

Loving you sunday morning

"Acordei cedo e perdi o sono; Fui caminhar na praia... Não demoro." Deixei escrito num pedaço de papel, ao lado da cama desfeita. A verdade é que passei a noite em claro e só me dei conta de que ja era manhã de domingo quando a cortina deixou passar claridade, e os passarinhos já cantavam lá fora. Seis em ponto marcava o relógio. Queria manter aquilo que estava sentindo, caminhar me manteria pensando mais um pouco. Já estava pronta, tênis, moletom e meu ipod, quando descobri que meu pai na verdade acorda em pleno domingo 6h da manhã. Ele não me deixaria sair tão cedo assim, e foi o que fez, depois de fazer cara assustada 'o-que-faz-você-acordada-agora, no último dia de férias?!'.
Sem conseguir dormir decidi folhear um dos meus diários. Abriria em qualquer página, riria de mim mesma e voltaria à minha (inútil) tentativa de dormir. Não consegui. De repente me vi de novo naquele ano de 2005, 6ª série, enchendo aquela agenda-diário de dúvidas e inutilidades de pré adolêscencia. Coisas inúteis hoje, o fim do mundo naquela época. Tempos bons se passaram, embora tempos de mudanças. Talvez tanta transformação explique ser justamente o ano em que mais tive vontade de escrever... Intriguinhas, confissões, planinhos, grupinhos, fofoquinhas, milhões de mimimis. Primeiro festival, primeira viagem sozinha, primeira nota baixa, primeira cólica menstrual, e, pro grand finale, o primeiro beijo. De 'fulano quer ficar com cliclano' ou gincana de escola, passei a falar de amor. Criei tanta expectativa pro primeiro beijo que até hoje é a única data que meu acéfalo desmemoriado aceita guardar: 28 de setembro de 2005. Pensando bem, nem faz tanto tempo assim. E hoje me senti de novo entre 12 e 13 anos de idade, tímida, insegura e infantil, esperando o carinha da novela no carinha da escola, achando ser a dona da verdade quando não passava de uma criança descobrindo a puberdade; mas dizia com orgulho ter tido o primeiro beijo dos meus sonhos e com quem eu gostava naquelas páginas. Cada respiração, cada gesto, por mais insignificante que fosse, descritos minunciosamente "para todo o sempre". Talvez não tenha sido o primeiro amor - no pré eu já jurava ter encontrado o homem da minha vida - mas com certeza foi minha primeira desilusão amorosa. Que hoje guardo como um sonho bom.
E hoje uma insônia besta trouxe consigo essa nostalgia gostosa, tão crucial nas horas que o tempo parece não querer passar. Só assim pra percebermos o porquê de algumas coisas mudarem e outras continuarem na mesma, sem sentir ou entender. De tudo, entender que cada fase da vida foi e continuará sendo essencial é o mais prazeroso. Prazer é abraçar a mudança, mas de todas elas, a de sentir que a principal mundança é você.

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Poeminha de Adolescente - Minha versão de "10 coisas que odeio em você", Diário de 2005.

Odeio como lê a minha mente
E como demora pra consertar
Odeio quando está estressado
Ou quando não pára de me olhar
Odeio quando me faz rir
E mais ainda quando me faz chorar
Odeio por sempre ter razão
E eu ter que me conformar
Odeio quando está por perto
Ou quando finge que não me vê
E não vem me procurar
Odeio quando se faz de sonso
Às vezes só pra me testar
Odeio... Odeio quando me provoca
Depois diz que está tudo bem
Que tudo que eu digo
É fruto da imaginação
Mas eu juro...
Eu ainda não acabei de falar
Tudo que ficou engasgado
Que eu ainda guardo com amargura
Dentro do coração
Odeio seu jeito de tenho-opinião-pra-tudo
E sua dupla personalidade
Mas mais, muito mais que tudo,
Odeio o modo como não te odeio nem um pouco.
E ainda tenho que admitir
Que se por tudo isso que odeio em você
Depois vem tudo à tona em dobro
E depois te amo muito mais.