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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não vale a pena

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar

Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
(Jean e Paulo Garfunkel)

Realidade perfeita só mora na idéia
(mas (des)ilusão não passa de covardia)

Tento ser direta, curta, sem rodeios.
Deixar de textos longos, saber parar, ser pontual.
Tentei fantasiar (e repeti) mas acordei chorando.
Já é segunda-feira - acabou meu carnaval.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Taste Of Honey

- Eles se amam!
- São felizes! - respondeu ela.
- Pois acredita que em amor possa haver felicidade?
- Às vezes
- A senhora já amou?
- Eu?... E o senhor?
- Comecei a amar há alguns dias.
Ela guardou silêncio; ele continuou:
- E a senhora, já ama também?
- Não sei... Talvez.
- A quem?
- Eu não perguntei a quem o sr. amava.
- Pois eu posso dizê-lo: à senhora.
Dona Carolina enrusbeceu e disse, baixo:
- Por quantos dias?
- Para sempre! - prometeu ele, sincero.
Mas voltou à pergunta:
- Não pode me dizer o nome do seu amado?
- Talvez, um dia.
- Quando?
- Quando estiver certa de que ele não me ilude.
- Então, ele é volúvel?
- Ostenta sê-lo.
- Por Favor! Diga esse nome!
- Não posso...
- Serei eu?
Carolina ficou em silêncio, mas apertou com força a mão de Augusto.
- Serei eu? - repetiu ele.
A jovenzinha murmurou uma palavra que parecia mais um gemido do que resposta:
- Talvez.
(Joaquim Manoel de Macedo - A Moreninha)

sábado, 4 de abril de 2009

O Velho e o Moço

"[...]Se o que eu sou é também
o que eu escolhi ser, aceito a condição.
Vou levando assim, que o acaso é amigo do meu coração.
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir..."
(Rodrigo Amarante)

Na música encontro sensações, idéias e sentimentos que antes achava que só comigo acontecia. Percebo que não sou diferente de ninguém e que de uma forma ou de outra, um dia vou passar por tudo o que todo mundo passa.
É incrível como existem pessoas que conseguem se expressar de uma forma tão simples, misturando melodia à idéia, poesia ao sentimento. Enquanto houver música boa, quero ouvir. Enquanto surgirem novos pensamentos, quero descobrir. Quero absorver informações, quero tentar copiar de quem admiro e descobrir que no final, se alguma coisa sair, vai ser do meu jeito mesmo. Quero planos, quero sonhos, quero meus amigos do meu lado. Mera iniciante, quero a incerteza do que escrevo, quero até mesmo contradição. Me realizar ou me achar ridícula de escrever o que escrevi, até mesmo nos posts esquecidos de um blog. Quero a certeza do incerto. Dispenso a previsão.